Coração de Vidro

Não é que eu não sinta
Sabe o Destino que eu apenas cansei de devotar-me a proteger coisas frágeis
Sinto até demais

Oculto nossos cacos entre os dedos
Mãos fechadas que se apegam aos pequenos restos de beleza e dor
Memórias perpétuas

A voz de Delírio ecoando promessas sinceras e impossíveis
Desejo e Desespero dançando o tango no picadeiro

Promessas também são coisas frágeis
Carregando vidro em aviõezinhos de papel

Recebe-me, Morpheus
Revele atrás dos meus olhos tudo aquilo que eu não posso ter
Permita-me esta felicidade fingida dos sonhos impossíveis
Apenas esta noite
A última
Não há impossível para o Sonho

Desespero, acolhe-me em seus braços, embala minh’alma em ondas,
desmancha meus cabelos emaranhados e devora a carne sobre meus ossos

Permita-me afogar esta dor sob o véu da Morte
Doce irmã, receba meus presentes

Observe-me sangrar cada erro na pureza deste sal
Inunda minha mente com a paz do vazio e do esquecimento
Somente assim posso desfazer-me deste coração de vidro

[publicado originalmente em 22 jul, 2014]

By | 2017-08-02T02:59:48+00:00 Janeiro 4th, 2017|Fique Ligado|0 Comments

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